Você tem um sósia por aí – mas provavelmente nunca o verá


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De vez em quando surge um caso na mídia: alguém que, num belo dia, topa com um sósia. Em 2015, circulou o encontro casual de “gêmeos” num avião. Depois, também por acaso, se reencontram num pub na Irlanda. Só que não eram gêmeos, nem tinham qualquer vínculo familiar. Completos estranhos.

Há vários registros de pessoas incrivelmente parecidas cruzando caminhos. Mais de 100 anos atrás, na Penitenciária Leavenworth, no Kansas, dois presos foram confundidos. Até o nome era parecido: Will West e William West. Will, que chegou ao centro em 1903, aonde William já estava, causou uma grande confusão. A equipe que registrava os detentos tinha certeza que o sujeito era o mesmo de dois anos antes.

E não era por menos. Esse era Will:

E esse, o William:

A semelhança é tanta que o próprio Will acreditou que a foto fosse sua, embora jurasse jamais haver pisado no presídio antes. Para surpresa geral, veio a confirmação de que William era outra pessoa, presa há dois anos por assassinato.

Não muito depois, foi adotado o sistema de reconhecimento por impressões digitais — o método existia desde 1858, mas não era empregado em larga escala.

Chance minúscula

Parece legal encontrar um estranho igual a você por aí? Talvez, mas não se empolgue: segundo pesquisadores, a chance é baixa. Colossalmente baixa.

Estudo feito na Universidade de Adelaide, em 2015, levou à conclusão de que há 1 chance em 135 de “falsos gêmeos” existirem. Mas a possibilidade de encontrar alguém com as mesmas oito “características-chave faciais” — um padrão que eles definiram e não foi revelado — de um rosto, é inferior a 1:1000000000000 (um trilhão).

Ainda não entendeu? Digamos que é mais fácil você ganhar 20 mil vezes na Mega Sena acumulada, fazendo o jogo simples de 6 números, do que encontrar um sósia perfeito.

Para chegar a tais números, a bióloga Teghan Lucas analisou, com sua equipe, 4 mil rostos do US Anthropometric Survey (ANSUR) — um banco de dados antropomórficos mantido pelo exército dos Estados Unidos para cadastro dos soldados.

Não são irmãos, nem parentes. Só um encontro casual num avião. Segundo estudo, a chance de um encontro entre pessoas idênticas é 1 em 1 trilhão (mas eles não são idênticos). Fonte: Twitter

Isto significa que há uma chance matemática real de alguém andar por aí com a sua cara. Mas como explica Zaria Gorvett, uma duplicata de alguém pode ser explicada pelo Teorema do macaco infinito. Segundo ele, se um macaco for colocado numa máquina de escrever com tinta e tempo infinitos, em algum ponto, após bater e pisar aleatoriamente nas teclas, terá datilografado toda a obra de Shakespeare.

Para acertar apenas a primeira letra do título “Macbeth”, o macaco teria uma chance em 26. Nem tão difícil, pensou? Ok, mas para acertar também a segunda, a chance cai para 1:676. Para chegar ao fim da quarta linha, 1 chance em 13 quintilhões.

Para moldar um rosto, são muito mais fatores do que as letras de um alfabeto. Isso permite entender o tamanho da dificuldade de tal evento ocorrer. Além de toda a variação genética, há uma série de fatores na “receita” humana. Nutrição e condições ambientais e de vida impactam em como a pessoa se desenvolve. Mesmo que a genética fosse parecida na infância, uma criança nos Estados Unidos e outra no Haiti acabariam como adultos distintos.

Então, não vou “me” achar?

Por quê, então, com uma chance tão ridiculamente baixa, as pessoas continuam dizendo “você tem um clone por aí“?

Porque o “clone” não precisa ser assim tão idêntico. A percepção afeta nossa avaliação; temos tendência a reconhecer padrões, mesmo quando os tais oito pontos não estão sendo atendidos. É a chamada “soma da face”.

Não são tão parecidas assim se você prestar atenção nos detalhes, mas seu cérebro insiste em dizer que são parecidas, certo? É a busca por padrões que a máquina não faz. Foto: François Brunelle

As meninas são parecidas; por muitos, seriam chamadas de “idênticas”. Mas só a soma de semelhanças entre pontos-chave faciais nos leva a isso — com um pouco de atenção, nota-se que não são iguais. É muito mais provável do que 1 em 1 trilhão que você encontre algo assim por aí (caso dos ruivos do avião). Mas se olhar bem, não é idêntico.

Gostou? Mas pense no seguinte: só um sistema de reconhecimento facial, DNA ou a velha tomada de impressões digitais podem diferenciar você de um criminoso. Agradeça por viver numa era de tecnologia.

O uso de sistemas de vigilância com vídeo para segurança está crescendo, e como resultado, há mais e mais casos de criminosos deixando suas ‘caras’ nas cenas de crimes“, dissse Lucas. “Ao mesmo tempo, estão cada vez mais espertos para evitar deixar DNA ou impressões digitais“.

O time australiano demonstrou, na mesma ocasião, que ao fazer a comparação dos oito pontos com os de um suspeito, a confirmação foi 100% positiva.

Este estudo forneceu evidências esmagadoras de que a medição antropomórfica facial é um meio efetivo de identificar o perpetrador  quando o vídeo ou foto de segurança capta um criminoso“, completou a bióloga.

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