Dunkleosteus: o maior terror dos mares

Tubarão? Seria uma boa isca pra quem realmente dominou os mares num passado remoto


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O cinema criou o mito — parcialmente verdadeiro — dos temíveis tubarões. No imaginário popular, quase todos são máquinas insaciáveis devoradoras de carne, inclusive humana se estiver de bobeira no mar. Graças a Spielberg (e ao livro de Peter Benchley), e a nós, que invadimos seu habitat, os monstrengos simpáticos terminaram com a fama.

A verdade é que sim, alguns são grandes predadores, como o tubarão-branco e o tubarão-tigre. Mas outros são tão inofensivos quanto uma sardinha, como o tubarão-baleia. Ataques fatais de tubarão são menos frequentes que de cães e cobras, e mesmo de animais selvagens como hipopótamos, leões e crocodilos. Das mais de 400 espécies de tubarão, há registros de ataque a humanos por menos de 10%.

Mas com a fama feita, como acreditar no contrário?

Com pouco menos de 8 metros e mordida de uns 250 kg, o “assassino” dos mares é uma flor de delicadeza comparado ao antepassado Megalodon. Rondando por aí uns 2,5 milhões de anos atrás, o gigante alcançava 18 metros de comprimento, com uma boca monstruosa, que aberta chegava a quase 3 metros de diâmetro. Se a comparação direta com o “primo” moderno servir, a força da bocada poderia ultrapassar meia tonelada.

Achou terrível? Bom, até é.

Mas e se tivesse existido um “peixinho” com porte próximo ao do tubarão-branco, corpo e cabeça blindados, e uma mordida veloz de até 750 kg?

Imagem: Wikimedia Commons

Conheça o Dunkleosteus terrelli.

O terror

Há quase 350 milhões de anos, no Período Devoniano, a Terra era bem diferente. Havia um supercontinente chamado Gondwana, quase todo no hemisfério sul. O chão seco abrigava formas primitivas de insetos e plantas, em adaptação. É desse período o fóssil de inseto mais antigo registrado, o Rhyniella praecursor.

Por outro lado, a vida marinha era diversa e desenvolvida, tanto que o Devoniano ficou conhecido como “Idade dos Peixes”. Desde os então já antigos trilobitas, passando por corais e chegando aos Tiktaalik roseae, espécie cujas barbatanas tinham músculos — início da jornada rumo à terra, antepassado dos atuais anfíbios.

A mecânica das carapaças com a mandíbula e músculos gerava a força e velocidade da mordida.

O Dunkleosteus terrelli habitava esse cenário. Era um placodermo, ou seja, sua cabeça e tórax eram recobertos por uma forte blindagem natural, de até 5 cm de espessura. Articulada entre cabeça e corpo, a carapaça por baixo da pele o tornava um tanto lento para nadar, mas excepcional combatente e caçador.

Sua mordedura era articulada em quatro barras, envolvendo as seções do crânio, torácica, a mandíbula, e músculos da mandíbula. O sistema permitia ao animal abrir e fechar a boca com incrível velocidade: cerca de 50 milissegundos, equiparável à velocidade de peixes atuais ao fazer sucção sobre vítimas.

Geralmente um peixe tem a mordida forte ou rápida, mas não ambas. Mas além de veloz, a dele era absurdamente pesada. A força estimada pelo “kit” era de quase 615 kg na parte frontal da boca, e mais de 750 kg nas laterais. Estudos preliminares chegaram a supor que ele conseguisse imprimir 5 toneladas de força.

Tal pressão podia fraturar ou até cortar carapaças de rivais e presas. Vários fósseis encontrados tinham restos de ossos de peixes diversos. Indicativo de que, apesar de voraz, ele não devia digerir bem, regurgitando restos mais sólidos das vítimas.

O “elmo” do Dunkleosteous, com demais partes da cabeça e parte da carapaça do corpo. Imagem: Tim Evanson

Há fósseis de pelo menos 10 tipos de Dunkleosteus, sugerindo grande distribuição; ele ocupava o topo da cadeia alimentar. A teoria mais aceita é que circulavam principalmente em regiões costeiras — típico de predadores, assim ficam mais perto da “comida”. O tubarão branco atual tem comportamento semelhante.

Relaxe, mas não muito

Fique tranquilo à beira-mar. Pelo menos devorado por esse monstro marinho de armadura com mordida de quase 1 tonelada, você não será. Pra nossa sorte, eles desapareceram na Extinção do Devoniano Superior, que há uns 350 milhões de anos, eliminou grande parte da vida marinha.

Essa extinção, cuja causa é incerta, pode ter sido consequência de uma grande mudança ambiental. Se foi o caso, a fera pode ter sofrido com falta de alimentos, dificuldades na procriação ou adaptação a alterações marinhas. O Dunkleosteus partiu para sempre, deixando só suas carapaças assustadoras para museus.

Só tome cuidado com os tubarões. Afinal, eles são caras legais, mas é bom não provocar…

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